Procurador Geral da República, Rodrigo Janot indicado pela própria presidente Dilma afirma que Petrobrás sofre com “gestão desastrosa”

 

Rodrigo Janot e Dilma Roussef durante a posse do Procurador Geral da República

Em discurso realizado ontem, Janot se mostrou escandalizado com o grau de corrupção que assola a principal estatal brasileira e disse que “corrupção também sangra e mata” e que o Brasil “não tolera mais a desfaçatez de alguns agentes públicos e maus empresários”.
Até o procurador geral da República Rodrigo Janot, indicado pela própria presidente Dilma Roussef se mostrou indignado com a atual situação da principal empresa estatal do país, a Petrobrás. Durante a manhã de ontem, Janot, num discurso realizado na abertura de evento organizado pela PGR – Procuradoria Geral da República, o procurador afirmou que o escândalo na estatal “convulsiona” todo o Brasil e, assim como “um incêndio de largas proporções” consome a petrolífera e produz “chagas que corroem a probidade e as riquezas da nação”. De acordo com o procurador, ele enxerga um ”cenário tão desastroso na gestão” da empresa que promete “não descansar” para fazer com que todos respondam pelos crimes cometidos. Ainda de acordo com Janot, a corrupção é um problema que “mata e sangra” e defendeu que “corruptos e corruptores precisam conhecer o cárcere”.
“Urge um olhar detido sobre a Petrobrás, em especial sobre os procedimentos de controle a que está submetida. Em se tratando de uma sociedade de economia mista, com a presença de capital majoritário da União – e, pois, do povo brasileiro – é necessário maior rigor e transparência na sua forma de atuar”, disse Ricardo Janot, que em agosto de 2013 foi formalmente indicado por Dilma para o cargo.
Conduzida pelo juiz Sérgio Moro, do Paraná, as investigações da Operação Lava Jato tem tido a constituição de uma “força-tarefa”, onde se concentra a apuração do caso, conduzido pelo juiz Sérgio Moro. Janot foi responsável pela criação do grupo de procuradores e é o competente para pedir ao Supremo Tribunal Federal a abertura de ação penal nos casos em que há envolvimento de autoridades ou parlamentares com foro privilegiado.
“Nem bem se encerrou a ação penal 470 (mensalão), revela-se ao País outro grande esquema de corrupção em investigação profunda”, afirmou em referência à operação Lava Jato.
Com firmeza
Janot garantiu que a “resposta aos que assaltaram a Petrobrás será firme” dentro e fora do País e disse que caberá aos procuradores que atuam na primeira instância do Judiciário propor ações penais e de improbidade “contra todos aqueles que roubaram o orgulho dos brasileiros pela sua companhia”. A ele próprio, disse, cabe apoiar a atuação dos colegas e apresentar ação penal contra os detentores de foro especial. “Ninguém se beneficiará de ajustes espúrios, podem ter a certeza”, disse.
Janot também afirmou que em janeiro uma missão de procuradores irá aos Estados Unidos, onde ocorre uma investigação paralela para apurar desvios na Petrobrás com o intuito de cooperar com o Departamento de Justiça norte-americano e “sufocar” criminosos que se valeram de fraudes e lavagem de dinheiro para “destruir” o patrimônio e a marca da Petrobrás. Missões da Procuradoria já foram à Suíça e à Holanda para realizar investigações relacionadas à Lava Jato e ao caso envolvendo a SBM offshore.
Reformulação na gestão da Petrobrás
Para o procurador, a gestão da petrolífera deve ter “reformulações cabíveis” inclusive com eventual substituição da diretoria e trabalho colaborativo com o Ministério Público. “Aqui e alhures, a decisão é de ir fundo na responsabilização penal e civil daqueles que engendraram esse esquema. Não haverá descanso. O Procurador Geral não tergiversa nem renuncia ao dever de fazer valer o interesse maior da nação. A PGR age”, disse Janot. Ele garantiu que o Ministério Público Federal fará com que “todos os criminosos” envolvidos no esquema respondam perante o Judiciário.
Corrupção mata e sangra
Um dia em que o País tem motivos para lamentar, disse Janot. “E lamentar muito.” “O Brasil ainda é um país extremamente corrupto (…) Envergonha-nos estar onde estamos”, afirmou Janot, dizendo que a culpa por esta situação “é de maus dirigentes, que se associam a maus empresários, em odiosas atuações, montadas para pilhar continuamente as riquezas nacionais”.
“Corruptos e corruptores precisam conhecer o cárcere e precisam devolver os ganhos espúrios que engordaram suas contas, à custa da esqualidez do tesouro nacional e do bem-estar do povo. A corrupção também sangra e mata”, disse Janot. Ele afirmou que o País “não tolera mais a desfaçatez de alguns agentes públicos e maus empresários”.
Janot cobrou a edição de decreto para implementar medidas de combate à corrupção previstos na nova Lei Anticorrupção Empresarial e permitir a punição administrativa de empresas corruptoras.

Clique aqui para baixar o arquivo em word:https://drive.google.com/file/d/0B8tS7v2ZXhonckxkOExVQ25mdHM/view?usp=sharing

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

12 − 11 =