Rio pode testar sistema chinês de reconhecimento facial, diz deputada

Comitiva do PSL viajou ao país para discutir agricultura, saneamento e segurança; nas cidades chinesas, sistema serve para conferir ‘pontos’ a cidadãos

Na China desde o início da semana, uma comitiva de parlamentares brasileiros, a maior parte deputados federais eleitos pelo PSL, pretende iniciar pontes para a importação de tecnologias chinesas nas áreas de agricultura, saneamento básico e segurança pública.

A VEJA, a deputada eleita Carla Zambelli (PSL-SP), que integra o grupo, contou que uma dessas inovações pode ser testada no país já em 2019: o sistema de câmeras de rua com reconhecimento facial de cidadãos. “É uma tecnologia que será aplicada no Brasil de forma pro bono [sem custo], até para nós vermos como funciona, no estado do Rio de Janeiro”, diz.

Para que esse teste possa ocorrer, o grupo está fazendo a ponte entre os chineses e o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC). Durante a campanha, Witzel defendeu em diversas oportunidades a adoção, no Rio, de tecnologias do tipo, estudando uma parceria público-privada (PPP) com empresas interessadas em utilizar as imagens para a garantia da segurança patrimonial.

Se no Brasil o sistema seria utilizado para fins de segurança pública, na China ele é a base do chamado Sistema de Crédito Social (SCS), projeto que será implementado até 2020 e utilizará registros das imagens para conferir pontos aos cidadãos do país. Jonathan Sullivan, diretor do Instituto de Políticas da China da Universidade de Nottingham, do Reino Unido, avaliou que o uso de câmeras aumentou a “capacidade de controle” do Estado sobre os cidadãos.

Agricultura

Um dos temas que dominaram a conversa foi a agricultura. Representantes do governo chinês falaram aos parlamentares brasileiros sobre a responsabilidade que os dois países, que estão entre os cinco de território mais extenso no mundo, têm para com o combate à “fome mundial”, em especial o Brasil, pela quantidade de terras agricultáveis – por aqui, excluídas as áreas indígenas e em posse do Movimento dos Sem Terra (MST), são 7%, enquanto no país asiático apenas cerca de 1%.

“Se fizéssemos uma espécie de cooperação internacional, eles poderiam investir em tecnologia para que nós possamos até dobrar a nossa produção ou mais do que isso, porque nós temos condição de mais do que dobrar essa produção apenas nas terras já agricultáveis”, diz Carla Zambelli, que aponta a oportunidade, em estudo pelo Ministério da Agricultura, de expansão dessas áreas.

Fonte: VEJA

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